sábado, 18 de junho de 2022

Ainda sobre a monarquia e a contemplação da Criação


11ª Semana do Tempo Comum | Sábado
Primeira Leitura (2Cr 24,17-25)
Responsório (Sl 88)
Evangelho (Mt 6,24-34)

1. A primeira leitura de hoje continua a narração daquela de ontem, tratando a respeito da história da monarquia israelita. Após a morte do sumo sacerdote Joiadá o rei a quem ele e os nobres haviam salvado da morte e restabelecido no trono se corrompeu pela bajulação dos chefes de Judá. Mas não só o rei, o próprio povo violou a aliança e passou a prestar culto aos ídolos e [explicita a tradução da Vulgata] aos bosques. Deus então despertou profetas para alertá-los, dentre eles o próprio filho de Joiadá. Mas o povo, com o apoio do rei, o apedrejaram, levando-o a morte. O rei matou o filho daquele responsável por devolver-lhe o trono! O castigo não tardou a vir, Deus serviu-se dos Sírios, deu força a seu exercício que era minoritário, estes massacraram os chefes de Judá, causaram grande sofrimento ao povo e a seu rei, que no fim foi morto por seus próprios homens, reconhecendo no pecado dele a culpa de seus infortúnios.

Não foi só na monarquia israelita, este tipo de coisa infelizmente foi também extremamente comum nas monarquias europeias. Quantos reis cujo trono fora restaurado graças ao Senhor não se comportaram tão mal... Charles II da Inglaterra, Juan Carlos da Espanha, embora eles não tenham chegado ao cúmulo do assassínio dos filhos daqueles que lhes coroaram, talvez por isso suas nações ainda não tenham sido massacradas pelos sírios [embora hoje o instrumento do castigo parece ser a Rússia e não a Síria]. De todo modo, por mais que o espírito histericamente pacifista desta época procure negar a realidade da guerra como castigo divino, a Escritura é inequívoca a este respeito. E tendo em vista os pecados dos soberanos e do povo por eles governado, é de se temer pelo futuro.

2. Olhai os lírios do campo e as aves do céu. Desta forma ensina nosso Senhor Jesus Cristo a atentar-nos a criação e a partir dela discernirmos os sinais da bondade e sabedoria Divina. Mas ao invés disso nos isolamos na redoma da tecnosfera, apartamos os animais de nosso convívio, substituímos a vegetação por concreto, a grama por tapetes de plástico verde - grama sintética, que eufemismo! - , as flores por papel e plástico. As flores de plástico não morrem e, por isso mesmo, esquecemo-nos da efemeridade da vida, já não somos alvos da ferroada das abelhas de forma que abandonamos a prudência ante o perigo. Ainda nos restam, felizmente, cães e gatos. Os primeiros muito nos dizem sobre a lealdade, os outros sobre a nobreza, não é admirável como consciente da própria dignidade tais criaturas desfilam com a mesma indiferença pelas sarjetas e ricos salões? Contemplemos a natureza, um lindo quadro pintado pelas mãos do Criador, tal experiência tornará nossa vida tanto mais bela e a nós tanto mais sábios.

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